VALE TUDO- Gomes afirma que aliança de Lula mistura tudo e trata aliados como bucha de canhão.
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) reafirmou, em Recife, a disposição de apimentar a sucessão presidencial. Em entrevista, voltou a criticar a política de alianças da base aliada do presidente Lula da Silva com vistas às eleições. Segundo ele, a rede de apoio à ministra Dilma Rousseff mistura alhos com bugalhos, gato, sapato, galinha, pena, cachorro. Ciro ainda acusou o PT de tratar aliados não fisiológicos, como o PSB e o PCdoB, como bucha de canhão e chiqueiro de ovelha.
Ciro ressaltou, no entanto, que sua candidatura não é irreversível, mas assegurou que só o seu partido pode demovê-lo da ideia de disputar a sucessão presidencial. Irreversível, só a morte, afirmou o deputado, que se reuniu a portas fechadas com o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB. Ao lado de Campos, Ciro gravaria ontem o programa nacional do PSB, que será transmitido em 18 de fevereiro. A exposição audiovisual é vista como um dos trunfos do deputado para subir um pouco nas intenções de voto pré-eleitorais. Nas últimas sondagens, o ex-ministro da Integração Nacional de Lula não passava dos 12%.
PT quer Ciro fora da disputa
Se o parlamentar continua insistindo na tese da candidatura, o PT bate o pé na retirada de Ciro da disputa presidencial. O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse ontem que o cenário caminha para uma candidatura única da base governista na corrida presidencial. Temos todas as condições de sentar e conversar. Eu acredito que o cenário é para a candidatura única, assim como a polarização do debate entre os que defendem esse governo e os que são contra, afirmou.
No mesmo tom, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que vai manter as conversas com o PSB em busca de um consenso. O Ciro tem legitimidade política para pleitear qualquer cargo. Temos uma visão diferente de estratégia política. Vamos continuar o debate. Se a nossa tese não prevalecer, vamos estar juntos no segundo turno, contemporizou. Dutra ressaltou que não encara Ciro nem a senadora Marina Silva como adversários de Dilma. Oposição é o José Serra. Me recuso a colocar a Marina como oposição, disse, sobre a pré-candidata do PV e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula. Nos bastidores, o presidente Lula aposta que até março conseguirá consolidar uma quantidade significativa de parlamentares do PSB interessados em estabelecer uma coligação regional com a ministra Dilma. Assim, isolaria Ciro e o deixaria sem coligações para sustentar sua chapa. Paralelamente, Lula trabalha para demover Ciro da ideia de sair candidato. Na semana passada, o presidente havia reforçado ao governador Eduardo Campos a intenção de transformar a eleição num plebiscito entre PSDB e PT. Ciro, por sua vez, sustenta que o PSB adota estratégia errada ao jogar para Lula a responsabilidade de fortalecer sua candidatura. Critica o presidente da República por insistir na tese de eleição plebiscitária e polarizada entre PT e PSDB. E afirma que a única chance de pisar no mesmo palanque da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pelo menos atualmente, é na disputa do segundo turno.
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